Enciclopédia do MYTHENOR

Mitologia Asteca (Mexica/Nahua)

Quem eram

“Astecas” é o nome popular dos mexicas, povo de língua náhuatl que, segundo sua própria tradição, saiu de Aztlán e fundou Tenochtitlan por volta de 1325, numa ilha do lago de Texcoco, no vale do México. Em menos de dois séculos, aliados a Texcoco e Tlacopan, formaram o maior império da Mesoamérica, até a conquista espanhola em 1521. Herdaram ideias muito mais antigas — de Teotihuacan, dos toltecas de Tula e de outros povos mesoamericanos, inclusive maias. Viam o mundo como algo frágil, sustentado pelo esforço constante de deuses e humanos: o sol precisava de oferendas para seguir seu caminho, e o tempo precisava ser renovado. Conhecemos essas crenças por códices pintados, pela arqueologia do Templo Mayor e por obras como o Códice Florentino, escrito em náhuatl com sábios indígenas sob a direção de frei Bernardino de Sahagún.

Cosmologia

Segundo a Lenda dos Sóis, o mundo passou por quatro eras, cada uma com seu sol, e todas terminaram em catástrofe: jaguares, furacões, chuva de fogo e dilúvio. A era atual é o Quinto Sol, Nahui Ollin, “4 Movimento”, nascido em Teotihuacan quando o humilde Nanahuatzin saltou numa fogueira; ela também terminará, por terremotos. A terra foi feita do corpo de um monstro primordial, Tlaltecuhtli ou Cipactli, partido por Quetzalcóatl e Tezcatlipoca. Acima ficavam treze céus; abaixo, os nove níveis do Mictlán. O destino após a morte dependia da forma de morrer: guerreiros e mulheres mortas no parto acompanhavam o sol; afogados iam ao Tlalocan; a maioria fazia a longa viagem ao Mictlán. O tempo era contado por dois calendários — o ritual, de 260 dias, e o solar, de 365 — que coincidiam a cada 52 anos, quando se acendia o Fogo Novo.

Panteão

O panteão mexica é enorme e fluido: deuses se desdobram em várias faces e trocam atributos. Quetzalcóatl, a Serpente Emplumada, é o deus do vento, do saber e da criação dos humanos; seu rival e parceiro Tezcatlipoca, o Espelho Fumegante, governa a noite e o destino. Huitzilopochtli, deus solar e guerreiro, era o patrono dos mexicas, e Tláloc, senhor da chuva, dividia com ele o topo do Templo Mayor. Chalchiuhtlicue reina sobre rios e lagos; Coatlicue é a mãe-terra; Mictlantecuhtli e Mictecacíhuatl governam os mortos. Há ainda deuses do milho, como Centéotl, do fogo, como Xiuhtecuhtli, do pulque, como os Quatrocentos Coelhos, e seres como os tlaloque e as tzitzimime.

No MYTHENOR

No MYTHENOR, esta mitologia é o Vale do Quinto Sol, sob o Céu do Quinto Sol, tecido com cantos, códices e o calendário dos dias. A arena é um campo de jogo de bola entre pirâmides, e Itzel, guardiã da linhagem da Serpente, protege o fio de luz no alto da grande pirâmide. O silêncio de Kaelmyr já se mostra: o sol nasce cada dia mais tarde e as páginas do futuro amanheceram em branco. As 120 cartas misturam deuses, criaturas e objetos reais com criações do jogo, sempre sinalizadas neste códice.

Nota de respeito

Os povos nahuas estão vivos: mais de um milhão e meio de pessoas falam náhuatl hoje no México, e tradições como o Dia de Mortos, o temazcal, o uso do copal, as crenças sobre o nahual e os chaneques e o cultivo da milpa continuam presentes. Este códice trata essas tradições com respeito e no presente. O sacrifício humano fez parte da religião mexica e é descrito aqui de forma factual, sem sensacionalismo; no jogo, a “oferenda” de um duelo é apenas fôlego, e ninguém se machuca. Termos em náhuatl seguem a grafia mais comum nas fontes citadas.

Fontes

  1. Aztec Civilization — World History Encyclopedia — Mark Cartwright
  2. Aztec Pantheon — World History Encyclopedia — Mark Cartwright
  3. Florentine Codex: An Encyclopedia of Life in 16th-Century Mexico — World History Encyclopedia — Jordy Samuels
  4. Mitos de los orígenes en Mesoamérica (Arqueología Mexicana) — Miguel León-Portilla
  5. Sun Stone — World History Encyclopedia — Mark Cartwright
  6. Digital Florentine Codex (Historia general de las cosas de Nueva España) — Bernardino de Sahagún and Nahua collaborators; Getty Research Institute

As 120 cartas